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riscos_e_rabiscos

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O mundo é uma ervilha!

Mesmo! O mundo é mesmo uma ervilha! Já tinha feito esta constatação várias vezes na minha vida e hoje foi uma delas.

 

Não é que entro no facebook e deparo-me imediatamente com uma foto de crianças do colégio que saí em julho? Confesso-vos que foi um choque. E também alguma tristeza e saudade das crianças. E mais uma vez percebi o pouco valor que ali me davam, o pouco interesse que davam às minhas mais valias. Muita exigência sim mas em coisas que não traziam benefícios para ninguém. E nem para inglês ver!

 

Nas fotos as crianças mostram o resultado de um dia dedicado ao artesanato, o resultado de uma peça feita por elas. É claro que eu não tenho, e  nunca terei, o protagonismo da artesã dona do facebook onde a foto apareceu mas que aquele e outros projectos podiam ter sido dinamizados por mim. E isto magoa-me porque não me souberam aproveitar e nem me deram a "oportunidade" para isso.

 

Desde que saí do colégio, cortei completamente relações com a instituição em si. Eliminei endereços de mail, contactos de redes sociais, nunca mais contactei colegas que também nem uma SMs ou mail me mandaram quando verificaram que eu já lá não estava) e nem quis saber se o colégio ainda estava de pé. É a minha maneira de lidar com aquilo que me dilacera, magoa profundamente.

 

O mundo é mesmo uma ervilha mas espero que não me apareçam mais fotos destas na parte da ervilha onde eu estiver.

Só a Mim!

 

Mais uma aventura na cozinha se segue! Eu não como muito e nem o posso fazer mas também não posso simplesmente deixar de comer. Acho eu.

 

Na sexta-feira, morta de cansaço e de fome, devido ao trabalho extra que, diga-se de passagem, tem sido muito cansativo, mando as crianças descer para o refeitório para irem almoçar.

Respirei fundo, fui lavar as mãos, tratar de alguns assuntos pendentes e dirigi-me ao refeitório para ir buscar o meu almoço e refugiar-me na sala dos profes a almoçar.

Não é que não goste da companhia dos miúdos, mas também gosto de trocar impressões com os meus colegas e descansar um pouco a cabeça.

 

Tirei um tabuleiro, serviram-me um prato de comida - peru assado com fusili e eu odeio peru! Argh! - e como percebi logo que não era capaz de comer, queria uma tacinha de sopa.

Ancei a cirandar para trás e para a frente porque não consegui obter uma tacinha. Primeiro, porque não estava ninguém do outro lado do balcão para me dar uma; segund,o porque não se pode entrar na cozinha senão somos esquartejadas pela cozinheira; terceiro, as taças ficam escondidas atrás dos tabuleiros e da panela da sopa a ferver, o que torna impossível alcançá-las.

 

Como se estava a revelar uma missão impossível, resolvi pedir auxílio. Sabem a quem? À bruxa, quer dizer à cozinheira!

Toda delicodoce, perguntei à bruxa se me poderia dar uma tacinha.

é claro que levei logo com uma resposta torta a dizer que "não podia porque... blá, blá, blá". O resto eu não percebi pois ela virou-me as cosatas com medo que alguma tacinha lhe saltasse para as mãos e assim ma tivesse de entregar. Continuou a resmungar afocinhada no lava-loiças. O que vale é que chegou a S. para salvar a minha hora de almoço.

 

Resumindo: o meu almoço foi sopa e meia dúzia de fusilis. A maio da trade, durante as aulas, tinha o estômago num roncar escandaloso.

 

Se fossem vocês o que fariam?

 

 

Duas em Uma

 

             

 

Chamem-me multifacetada, polivalente, multifunções, pau para toda a obra... Whatever! Mas a verdade é que fui requisitada, recrutada para entrar no  jogo em jeito de substituição de jogador lesionado. Assim... à última da hora!

 

Às vezes o azar de uns é a "sorte" de outros.

Ontem cheguei ao colégio à minha hora normal de iniciar as aulas e o director interpela-me com a pergunta "o que faz durante as manhãs?"

Ocorreu-me tudo menos o motivo real. Pensei que finalmente tivesse mexido nos cordelinhos, pauzinhos e neurónios para erguer as sugestões que eu lhe fiz - e ele aceitou entusiasticamente - para dinamizar o colégio e ganhar uns cobres extra. Mas parece-me que vozes de burros não chegam aos céus...

 

Revelou-me, então, que uma colega minha tinha dado uma queda no WC e que tinha partido três costelas, estando, por isso, incapacitada para dar aulas durante uns tempos.

 

Perguntou se eu "estava habituada a trabalhar com crianças daquela idade". Às vezes o director sai-se com cada uma que até parecem duas! Então esta turma não é minha?!? E já desde o ano passado?!? Ai, ai, ai!!!

 

Ontem foi a "genra" (como carinhosamente chamam à nora do director que anda pra lá a encher chouriços para justificar o ordenado) que substituiu a minha colega, o que não agradou nada à classe dos profes. Receia-se que ela seja uma espécie de espiã ao dispôr de sua majestade, o director. A ela falta-lhe um pouco de simpatia para que conquiste os outros e mesmo que não seja persona non grata, passou a sê-lo!

O consenso geral é que a "genra" não deve fazer estas substituições porque nem se quer é professora.

 

Voltei a levantar-me cedo para poder estar no colégio a horas e começar a aula. Devo dizer-vos que, apesar dos miúdos terem ficado decepcionados porque pensaram que iam ter inglês, as coisas correram muitíssimo bem!

Trabalharam imenso e ainda trabalharam um conto extra, que eles adoraram.

 

A parte hilariante do dia foi a hora do almoço. Já aqui vos disse que a cozinheira é super desagradável e antipática, com aquele ar de quem todos lhe devem e ninguém lhe paga.

Desci com as crianças para o refeitório que aguardaram a sua vez fazendo fila. Após terem entrado todos, eu dirigi-me para a zona da comida e a C. diz-me que tenho de avisar a cozinheira que também ia comer. Perguntei se havia um pratinho de comida, ao que ela coloca comida no prato, estende-me a mão à bruta, como se estivesse a mandar comida a animais com desdém e pergunta-me "isto chega?". É claro que chegava! Mas nem tive coragem de ir buscar sopa ou fruta. Acho que ela ainda me agarrava a mão e me mandava largar o que estava a segurar.

É claro que eu contei o episódio a toda a gente e mais alguém, inclusivamente ao director.

Todos sabem que a cozinheira é assim, mas de vez em quando uns laivos de simpatia não fariam mal a ninguém... digo eu...

Coisas da Escola

 

 

                       

 

 

Fui ao colégio para tratar de alguns assuntos pendentes para o arranque do próximo ano lectivo. Sabem aquelas “batatas quentes” que nos passam para as mãos? Pois foi isso mesmo que fui despachar.

 

Fiquei muito contente pois o director deu-me os parabéns, pela segunda vez, pelas coisas terem corrido tão bem no mês de Agosto. E sei que a P. e a C. também lhe disseram o mesmo e que as coisas correram tão bem que o mês de Agosto passou num instante, nem se deu pelo tempo passar.

 

Assim que entrei no portão começo a ouvir por todos os lados “teacher, teacher!” Encontrei logo uns pingarelhos mais velhos. Depois foi a vez dos mini-pingarelhos. E os que não vi fui à procura deles. O colégio nem parecia o mesmo: a azáfama tinha começado. Mas tenho imensas saudades dos miúdos. Mas tenho mesmo!

 

Lá expus e defendi as minhas ideias acerca dos livros. E desta vez ganhei, convenci o director a escolher os que eu pretendia trabalhar. Fixe! Eu vou adorar e os miúdos também!

 

Também me foi dado um esboço do meu horário. É idêntico ao do ano passado mas com uma distribuição das turmas muito melhor. Esperemos que resulte, também, melhor. Mas só cá entre nós, o director roubou uma hora a duas turmas, e era bem feito que os pais se queixassem.

 

As minhas microférias estão no fim. Não me apetece fazer grande coisa senão dormir. E até podia atribuir a culpa ao tempo. Um dia por estar calor e não me apetecer mexer uma palha, e outro dia porque está embrulhado e sentir uma moleza descomunal. Mas coitado do tempo. Leva sempre com as culpas todas! Então vamos lá atribuir as culpas a outro: o cansaço!

 

Com o Dedo No Trapilho.

 

Amanhã é o meu último dia de "voluntariado" no colégio. E é o último dia a levantar-me com as galinhas, que é como quem diz às 6.30h, para ir abrir o colégio (Iupiiii!). Acho que vou ter saudades. Isto é, vou ter saudades dos momentos de calmaria e de correria, da coordenação do trabalho entre o trio odemira (entenda-se eu, a P. e a C.). para que tudo corresse bem.

 

Depois entro em férias. Tenho direito nove dias de férias. Acho eu. Férias... eh! Trabalho em casa, para ser mais correcta. Tenho de ultimar as coisas para iniciar o ano lectivo. E espero que o director não tenha alguma ideia brilhante para eu ter de andar a saltitar entre o colégio e casa.

 

Ando cansada e cheia de sono. Não me consigo deitar muito cedo e depois dá nisto. Hoje, então, foi o cúmulo: às 4.30h da manhã acordei a espirrar e já não consegui dormir mais. Humpf! Entretive-me a gastar um pacote de lenços de papel.

 

Só vim aqui ver como páram as modas e dizer que ainda mexo, com dificuldade mas mexo!

Ultimamente mexo com desembaraço os dedos. Desde que ataquei o trapilho, não quero outra coisa. E logo eu que sou uma moçoila toda prendada em muitas vertentes dos lazeres femininos...! Prometo mostrar depois o produto final que sair destas mãos de fada.

 

Ah, é verdade, sabem do que estou a falar? (Menina K. não vale revelar!)

 

 

Anotações De Um Dia Vulgar

 

- Iniciei o meu dia com uma alvorada. Só na paragem. Uma senhora aproxima-se e deposita a sacalhada em cima do banco. Disfarça a sua presença e vai atrás do mupi da paragem. Duas granadas fortes foram largadas. Foram ouvidas em toda a redondeza. Regresso à parte da frente mas não acompanhada de cheirete. Ufa!

 

- Inundação no colégio. A Maria-mau-feitio (que agora me adora e não me larga), resolveu fazer um “lago” amarelinho no local onde estava. Achou que o ambiente estava muito… err… seco?! Ala tudo para o banho! Alguém explica porque temos necessidades primárias quando estamos a brincar?

 

- Maria-mau-feitio, take dois: não sei o que andam estas pitas minorcas a fazer que andam a cair para o lado de sono. A Maria, assim que acaba de almoçar, encosta a cabeça para o lado e começa a roncar. Mas o mais giro foi mesmo a andar de baloiço. Plim, plão, cabeça de cão, e a Maria a dormir no baloiço, ia caindo ao chão!

Nunca tinha visto ninguém a dormir a andar de baloiço… hummm!

 

- Fujam todos… eles andam aí. Pois é, quem é que falou que queria ter animais de estimação? E querem grandes ou pequenos? Pequenos tenho muitos para dar…

A M. apareceu hoje com um penteado novo. Gabei-lhe a “obra de arte” mas só depois entendi tal esmero. A miúda trazia bicharocos na cabeça, vulgarmente conhecidos como piolhos (argh, que comichão!), e ninguém me avisou!!! Pânico geral, e as miúdas em fila para eu lhes atar os cabelos. E eu enfiei uma caneta no meu e fiz um belo penteado. Xô piolhos indesejáveis!

 

Para terminar o dia, estou com uma bela enxaqueca… Se eu apanho a gaja, trinco-a toda!

 

Particularidades de um Mundo Aparte

                     

Que o meu colégio é composto por crianças de uma classe económica alta, já eu sei desde que lá dei a minha primeira passada portal adentro.
Que as crianças são filhos de pais novos ricos, em franca ascensão económica também é sobejamente conhecido. Mas mesmo assim ainda desconheço alguns factos acerca do meu local de trabalho. É sempre bom umas surpresas para fugirmos à rotina.
 
Passei o ano inteiro a ver as “empregadas” irem buscar as crianças. Havia aquelas que surgiam vestidas à paisana mas outras havia que surgiam vestidas a rigor. Uniforme imaculado e sem rugas, branco e azul, bandolete de rendinha na cabeça.
Julgava que já não existiam coisas destas. Que estas cenas pertencessem ao século passado, que fossem e há quatro ou cinco décadas atrás. Mas parece que há coisas do Antigo Regime que ainda subsistem, que perpassam os tempos.
 
Mas o que eu não sabia é que também tinha uma criança – não sei se há mais – oriunda do mundo VIP, do Jet Set. É uma estupidez e completamente normal, mas foi uma coisa inesperada.
Tempos houve em que o meu dia a dia era passado em contacto com actores e actrizes e modelos muito conceituados na época, tendo-se, alguns deles, tornado figuras de referência no mundo da moda. Por conseguinte, habituei-me a “vê-los” como pessoas ditas “normais”, iguais a qualquer outra pessoa existente ao cimo da terra. E é assim que os continuo a ver sempre que me cruzo com algum.
 
Quanto a esta celebridade, obviamente que não vou referir nomes. Não é relevante. Este foi apenas o mote para que eu pudesse fazer um flashback interior aos tempos em que eu lidava com este “mundo aparte”. Às vezes é bom recordar tempos idos.
Mas como não vos quero deixar a pensar muito sobre o assunto, deixo apenas aos mais curiosos uma dica: fez parte de um concurso televisivo.
 
A criança é muito querida mas muito mal habituada e mimada. É muito pouco desenvolvida e pouco autónoma para a sua idade e compleição física. Mas é bem comportadinha. É o que interessa quando se está sozinha a tomar conta de 20 catraios…
 
 

 

Primeiro Round.

 

 

 

E quando uma pessoa quer contar alguma coisa mas está cansada e com preguicite aguda para o fazer, o que é que faz (redundâncias à parte)?

 

Escreve um post sob a forma de telegrama! Conta o que lhe apetece, de forma sucinta e não desgasta muita energia… Convencidos? Eu também não!!!

 

Já sabem que na sexta-feira foi o meu regresso ao trabalho forçado, quer dizer, com muita força e entusiasmo E até não foi nada mau… Ora vejam:

 

* Para dar continuidade à tradição dos meus “primeiro dia de trabalho”, claro que aconteceu um percalço ao romper da manhã.

Entrei no bus e o motorista diz-me que o meu passe não é válido. WHAT??? Are YOU talking to ME? Então o referido senhor achou que a cor da senha do passe tinha de ser vermelha e não preta como na realidade é. E a sua convicção era tanta que não me queria deixar passar… O que vale é que vinha atrás de mim o homem barrigudinho-de-calções-e-soquetes com um passe igual ao meu. Foi o meu herói nesse dia!

 

* Como não tinha tomado descafé e era muito cedo, ao chegar ao colégio, lembrei-me de que havia um café numa rua escondida ali perto. Ao passar pelo portão do colégio, cai-me o coração aos pés: vejo a porta da secretaria aberta!!! “Pensei logo:”Ai que assaltaram o colégio logo no primeiro dia em que está sob a minha alçada!” Aproximo-me em pânico e vejo que afinal foi a todos-me-devem-e-ninguém-me-paga que tinha chegado mais cedo e aberto o colégio. Podiam ter dito alguma coisinha, não?! Eu podia ter tido um colapso cardíaco…

 

* Negligência parental: é-me entregue a Maria-mau-feitio com uma birra descomunal. Grita, bate, esperneia. Como os pais já tinham deixado o colégio e estavam dentro do carro, a miúda foi para o chão. Passado um minuto, desata a correr em direcção ao portão e eu a correr atrás dela. Não é que os pais tinham deixado o portão aberto?!?! A minha sorte – e a dela – é que eu consegui agarrá-la antes que chegasse ao portão. Depois não se admirem que elas aconteçam.

A miúda tem um mau feitio terrível e é birrrenta, é lógico que iria atrás da “mamã”. Entretanto, a mamã que estava a assistir ao espectáculo dentro do carro, regressa ao colégio e eu disse-lhe logo que é obrigatório fechar o portão para as crianças não saírem e ficarem em segurança! “A culpa foi minha”, disse ela com um ar deslavado…

 

O resto do dia correu bem, apesar de ter ficado com 20 miúdos a meu cargo sozinha uma série de horas. Não deveria ser assim mas não sou eu que mando…

 

 

Updating Personal Details.

                                   

 
Parece que, finalmente, vou conseguir escrever qualquer coisinha. Isto estava difícil… e até nem era por falta de inspiração… era mesmo por preguicite aguda. Sabem como é: férias + calor = preguiça.
 
Vou começar pela parte boa. Pois é, consegui. Vou ficar este ano no colégio novamente. Com mais uma hora lectiva. Com muita pena minha e da minha conta bancária, é praticamente impossível haver mais horas lectivas por causa das outras actividades extras que os miúdos têm.
 
Para além de ir para lá no próximo ano lectivo, vou trabalhar para lá no mês de Agosto. Vá, riam-se, vocês todos de férias a apanhar solinho na cara e eu a workar… A verdade é que o colégio precisava de um docente para o mês de Agosto e eu “voluntariei-me”. O director sabe que eu sou destas “voluntarices”. Quer dizer, destes “lixanços” pessoais…lol!
 
Lado positivo: festejar o meu aniversário no meio dos alunos pela primeira vez na vida, receber uns trocos extra e mostrar, mais uma vez, aquilo que valho.
Fiz bem, não fiz?
 
***
 
Vamos à parte menos boa.
 
Começando pelo meu pai. No mesmo dia em que recebi a notícia de que iria ficar no colégio, nem sonhava o que me estava reservado para a noite.
Tinha acabado de jantar, e ia beber o fabuloso café que tinha tirado e que estava a adoçar quando toca o telemóvel. Hummmm… Quem seria aquela hora? Provavelmente a minha comadra. Mas não. Era o meu irmão. Atendi e oiço a voz do meu irmão muito aflito: “mana, o pai caiu e tem a cara toda em sangue. Deve ter-lhe dado alguma coisa. Já chamei o INEM e vou para o hospital com ele. Vai lá ter.”
 
Vesti-me o mais rápido possível, toda a tremelicar. Nem conseguia enfiar as tiras nas sandálias para as apertar. Acho que voei escadas abaixo, com o N. atrás de mim, para ir buscar a minha mãe. Liguei-lhe e, nervosa como ela é, deu-lhe logo as dores de barriga e desata a falar sem parar.
 
Lembrei-me de passar primeiro pela oficina dele, pois muitas vezes, em casos menos “graves”, demora eternidades. Ainda os apanhámos. Devemos ter chegado ao mesmo tempo.
O meu pai vinha do café e está um prédio com andaimes para pintar as paredes exteriores. Mas estão tão bem montados que tem um barrote de fora, óptimo para se tropeçar. E foi o que aconteceu!
 
O meu pai ficou com a cara numa lástima e partiu a cana do nariz. Do mal, o menos, mesmo assim. Pensei que se tivesse passado algo com o pace maker ou outra coisa qualquer mais grave.
Resultado: uma camada de nervos brutal em cima, uma noite no hospital e um nariz todo cosido e com uma tala. Só me faz lembrar o Hannibal Lecter não sei porquê…
Agora tem de ir a uma consulta de maxilo-facial, esperemos que não tenha de ser operado ao nariz.
 
Ontem, foi a vez da minha sogra, coitada. Já há alguns dias que ela vinha dando umas quedas, que não sabia explicar como tinham acontecido. Atribuíram-se à tensão e ficou um dia de repouso em casa. Depois ficou melhor e prosseguiu a vidinha dela. Este fim-de-semana até o veio passar a Lisboa.
O N. recebe um telefonema do irmão a dizer que a mãe estava no hospital por se suspeitar ter tido um AVC. Veio para casa medicada e com o diagnóstico de um AVC ligeiro.
 
Não há-se o meu sistema nervoso andar todo destrambelhado?!
 
***
 
A minha rua parece andar enguiçada. O meu vizinho de baixo quase que passou para o outro lado. Rebentou-lhe uma úlcera do estômago que ele nunca sonhou ter. Não era a hora dele porque foi muito grave.
 
Hoje a minha mãe disse-me que a mãe da C. está em coma. Ela só tem um rim, é diabética e problemas de coração. Parece que as coisas não estão nada animadoras. Fiquei mesmo chocada…
 
***
 
Desculpem a enormidade do post mas este foi mesmo para desabafar. Pareço aquelas velhotas a falar das doenças mas infelizmente estas têm sido as coisas que mais me têm preocupado ultimamente.
 

And Now?

 

Hoje foi a festa de encerramento do ano lectivo no meu colégio. Apesar da caloraça que se fez sentir, os miúdos estavam o máximo e as coisas correram muito bem.

 

Comigo levei o N. e a minha priminha B., só faltou mesmo o Pimentinha e o bóbi para alegrar a festa.

 

Esta altura pra mim é terrível, costuma provocar-me uma angústia atroz. É o terminar de uma fase, o encerramento de mais um ciclo. e com isto volta a instabilidade, o não saber com o que posso contar, o que me espera no dia de amanhã.

 

O mais angustiante ainda foi ontem, na despedida, as crianças perguntarem-me se eu ficava lá para o ano e eu não saber responder.

Hoje foi a vez dos pais. Muitos a pedirem-me para ficar. Mas a decisão não é minha, é do director.

Sei que fiz um bom trabalho, que os miúdos ficaram bem preparados, que gostam de mim e agora vamos ver o que vai acontecer.

 

Não tinha mais nada para me partir a cabeça, por isso vou ficar a roer as unhas de ansiedade até à próxima semana que é quando o director tem disponibilidade para falarmos sobre o "próximo ano lectivo". 

 

É curioso que, ao contrário dos outros anos, e apesar de eu adorar estes putos, não fiquei com a sensação do "deus" de nunca mais os ver. Não chorei na despedida como me acontece sempre. Foi uma espécie de até logo. será o prenúncio de algo? Quererá o meu sexto sentido dizer-me alguma coisa?